| A palavra chave é: valores!
Violência nas escolas. Esse foi um tema muito debatido, especialmente nos últimos dias, por diversos jornais locais e imprensa regional. Contudo, quais as atitudes que estão sendo tomadas para combater esse problema? Quais são as atitudes dos meios envolvidos para solucionar tal questão?
Conversamos com os órgãos envolvidos: escolas, Secretaria Municipal de Educação e Coordenadoria Regional de Educação, para entendermos qual o trabalho que estes vêm realizando para combater a violência nas escolas.
Secretaria Municipal de Educação
O secretário de Educação, Eleandro Lizot, explicou que neste ano já está sendo desenvolvido um trabalho específico com as direções das escolas, com o intuito de que, após, os professores possam desenvolver esse trabalho de conscientização com a comunidade escolar. “Na verdade, para nós da Secretaria de Educação, é bastante claro que a escola sofre essa agressão juntamente, como um reflexo do que vive a sociedade como um todo, porque a escola está inserida dentro da sociedade, ela está envolvida em tudo aquilo que há na dinâmica da própria sociedade. Então, não podemos considerar que a escola é sozinha, que vive sozinha e de forma isolada. Não. Ela está dentro da sociedade, e como integrante da sociedade, ela também sofre os problemas da própria reestruturação da família e de todos esses fatores que contribuem para a construção da violência”, explicou o secretário.
Eleandro comentou ainda, que o que a Secretaria da Educação está tentando fazer é “encaminhar para que a própria escola possa trabalhar e desenvolver esses conceitos. Temos o programa Tecendo Vínculos, que é um programa de formação com os pais. Nesse programa, a Secretaria constrói, junto com a escola, formações com os pais onde são organizados encontros nas escolas para que se possa estudar e discutir. E o tema da violência também perpassa por essas discussões, com palestras com pessoas ligadas à justiça, e chamando a responsabilidade da família na formação do cidadão, na formação dos seus filhos. Então, esse é um dos pontos que costumamos destacar: que todas as escolas devem trabalhar, em todos os momentos em que reúne os pais, a questão da responsabilidade enquanto pais na formação dos filhos. Que eles possam assumir essa responsabilidade”.
Quando abordado sobre os principais fatores que contribuem com a violência na escola, o secretário explica que o fator base para essa atual desestruturação do jovem é a desestruturação familiar. “Fatores como essa desestruturação na família, onde os valores não são mais preservados. Os valores de organização e respeito foram renegados e deixados para um segundo momento, achando que agora isso não é preciso. Essa nova organização na sociedade, em que se confundiu um pouco a questão da liberdade com a libertinagem, onde tudo pode e não se exige uma responsabilidade, essas coisas também são fatores que geram violência. E, a partir do momento em que a família perde o controle, isso se reflete na sociedade e também na escola, porque é uma extensão, uma coisa leva a outra e a droga vem sim, como um dos fatores presentes”.
Portanto, Eleandro salienta que, em sua opinião, o primeiro elemento para a solução desses problemas é o resgate desses valores perdidos e a valorização do respeito à vida.
Escolas Municipais e Estaduais
Conversamos com as diretoras das escolas Imeab e Modelo, Município e Estado respectivamente, que se depararam com problemas de violência e vandalismo recentemente.
A diretora do Instituto Municipal de Educação Assis Brasil (Imeab), professora Simone Batezini Friederichs, afirmou que o foco não é debater a violência, mas resgatar os valores. “Estamos aproveitando a disciplina de Ensino Religioso para abordar a valorização da vida e do próximo. Dentro da escola não aconteceu mais relatos de brigas e o que se tenta fazer é disseminar dentro de sala de aula a preservação dos valores”, diz. Simone destaca um fator que, segundo ela, é muito importante e de grande auxílio para a escola, que é o monitoramento da família com relação ao conteúdo que as crianças assistem na televisão e pela internet. “Ter o cuidado para que o acesso a isso não acarrete ao modismo de alguns grupinhos”, afirma.
Outra abordagem utilizada é a reunião mensal com o Conselho Escolar, composto de pais e alunos, “onde lhes é relatado tais situações e lhes passado informações sobre os valores que precisam ser mantidos. Essas informações são levadas pelos próprios alunos para os colegas e pelos pais, para dentro de casa”.
Jussara de Oliveira Zimmermann é diretora do Colégio Modelo e afirmou que em sua escola já iniciou o trabalho da Polícia Cidadã. “Fazemos nosso trabalho em conjunto com a Polícia Cidadã, ficamos atentos com as situações suspeitas para comunicar a Brigada Militar. No que diz respeito à educação, a violência é um tema sempre discutido em sala de aula em forma de palestras e, agora, com uma abordagem mais aprofundada na questão dos valores da paz, na importância de se ter um projeto de vida e de enfrentar conflitos para construir a cultura da paz”, explicou.
Coordenadoria Regional de Educação (CRE)
A redação entrou em contato com a coordenadora da CRE, que não pode responder as questões por estar participando das atividades na Secretaria de Educação (SE), em Porto Alegre, na reunião dos coordenadores. Entretanto, a assessoria de comunicação da CRE nos informou que a Coordenadoria está desenvolvendo o projeto Polícia Cidadã, como uma estratégia de prevenção à violência.
Esse é um projeto de parceria entre Brigada Militar, Coordenadoria e Secretaria Municipal de Educação, onde foi realizado um diagnóstico sobre violência e aplicado nas escolas do Município.
Redação Jornal O Repórter
26.05.2010
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